Archive for the ‘Música’ Category

“Sobre o uso de efeitos especiais” ou ainda “Aprende Spielberg”

7 Outubro, 2008

Muito fantástico o trecho do do filme Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1978, em que Billy Preston banca o próprio Sgt. Pepper enquanto canta Get Back (é, usaram músicas de outros discos na trilha).

O filme, produzido por Robert Stigwood e dirigido por Michael Schultz, traz no elenco Peter Frampton, Bee Gees, Alice Cooper e o estreante Steve Martin. George Harrison e Linda McCartney fazem uma pontinha também.

Frase de efeito: efeitos especiais só fazem sentido quando usados dessa maneira.

Gang 90 e as Absurdettes

3 Outubro, 2008

Não sou muito fã de anos 80 e é com certo alívio que vejo as festas temáticas em homenagem à década perderem força. Nunca entendi porque bonitas jovens moderninhas decidiram ressucitar o tenebroso cabelo da Angélica no início de carreira para dançar as músicas da época, anunciadas em cartazes de festa com a imagem (obrigatória) de um pogobol. É claro que coisas boas foram feitas ao longo desses mau vestidos 10 anos, mas a estética característica da época é meio absurda e não muito digna de um revival.

Dentro do que chamamos de clássicos dos anos 80, a banda The B-52’s merece crédito no campo musical. A irreverência das letras e a alegria contagiante das músicas é revisitada de várias maneiras até hoje (Bidê ou Balde comprova). Mais do que isso, o grupo foi copiado quase que instantaneamente no Brasil por grupos como a Blitz.

O que não entendi é porque uma das melhores bandas brasileira estilinho B-52’s não ganhou o devido destaque na recente volta musical oitentista. A Gang 90 e as Absurdettes emplacou até tema de novela das 8 em 1983, mas vive esquecida junto à miscelânea de bizarrices produzidas no período.

O grupo, fundado pelo jornalista com cara de nerd Júlio Barroso, tinha como vertente principal a então bombante new wave. Além disso, o líder da banda agregou influências beatniks às músicas, influenciado pela leitura fanática de Jack Kerouac. O resultado é composto de excelentes músicas dançantes, recheadas de trocadilhos e deboches.

A banda lançou apenas um álbum – Essa tal de Gang 90 e Absurdettes (1983) – com Barroso ainda vivo. Em 1984, o vocalista caiu da janela do seu apartamento em São Paulo e morreu. Depois disso, a tecladista da banda, Taciana Barros, assumiu a bronca e lançou os discos Rosas e Tigres (1985), com quase todas as músicas ainda compostas por Barroso, e Pedra 90 (1987), fracasso que decretou o fim da Gang 90.

Além da clássica Convite ao Prazer aí em cima, uma espécie de hino oitentista, quase todos já devem ter ouvido os hits Nosso Louco Amor, Telefone e Perdidos na Selva.

Novo do Oasis: nem pra menos, nem pra tanto

1 Outubro, 2008

No MySpace do Oasis dá para ouvir na íntegra o novo disco da banda – Dig Out Your Soul. Os irmãos Gallagher ficaram falando sem parar que o álbum é a melhor coisa que já fizeram, que as músicas não tocarão muito nas rádios por se distanciarem do mainstream e que o trabalho não conta com singles pop. Mentiram um pouco, já que várias músicas lembram muito – principalmente pelos vocais e pelos timbres das guitarras – qualquer disco anterior da banda. Além disso, pelo menos cinco músicas são singles radiofônicos indiscutíveis e certamente vão tocar muito.

Isso, no entanto, não quer dizer que o disco seja ruim ou comum. Muito pelo contrário. Dá para perceber em vários momentos a preocupação da banda em inovar (ok, talvez resgatar) nos sons utilizados e fugir do formato pop tradicional (nem sempre, nem sempre). Enfim, nada espetacular, mas uma boa volta da banda depois de alguns discos meio chatos.

Eu curti especialmente as músicas The nature of reality e Waiting for the rapture. A faixa I’m Outta Time, que Liam Gallagher levou 10 anos para finalizar em homenagem a John Lennon também vale a pena.

Is Paul dead?

24 Setembro, 2008

Foram tantas as ameaças terroristas depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos que o falatório já é encarado com certa naturalidade. Toda semana (talvez todo dia) algum grupo extremista diz que vai (e por vezes vai mesmo) explodir hotel, embaixada, mercado, metrô. É compreensível que os mais precavidos fiquem atentos a esse tipo de noticiário, mas para a grande maioria dos ocidentais as ameaças são tão comuns que só impressionam, na melhor das hipóteses, quando acontecem de verdade.

O problema é que amanhã Paul McCartney sobe ao palco montado no parque Hayarkon de Tel-Aviv, em Israel, sob ameaça do líder islâmico Omar Bakri, que disse a um jornal inglês que o ex-beatle virou inimigo quando aceitou se apresentar em um Estado que oprime os muçulmanos.

Se tivesse o celular do Paul, mandava uma mensagem dizendo que show aqui em Porto Alegre é mais tranqüilo e que talvez não seja uma boa idéia ficar em pé, na frente de mais de 40 mil pessoas, sabendo que pode haver um malandrinho querendo atirar ou se explodir ali por perto. Como o devaneio não procede, é esperar até amanhã pra respirar mais tranqüilo.

Amarante > Camelo

23 Setembro, 2008

O Little Joy – trio formado pelo Rodrigo Amarante, pelo baterista do Strokes Fabrizio Moretti e por Binki Shapiro (namorada do Fabrizio) – disponibilizou no MySpace três faixas do primeiro disco da banda, que foi gravado em julho e será lançado no início de novembro nos Estados Unidos. No One’s Better Sake é um reggae com cara de antigo e bem interessante. Brand New Start tem clima havaiano, refrão marcante e vocais que lembram Los Hermanos. With Strangers é a mais calma de todas, com arranjos simples que valorizam a boa letra.

Com isso, e depois de ouvir o disco solo do Marcelo Camelo, posso afirmar com certeza que o espírito musical de Amarante me agrada mais. As músicas do Little Joy – mesmo que apontemos todas as infuências claras e obscuras – são originais, diversificadas e surpreendentes. Camelo produziu um bem acabado disco com musicalidade semelhante ao que colocou no último trabalho do Los Hermanos. Reconheço alguns bons momentos do trabalho – a música Janta, com a Mallu Magalhães, ficou bonita – e sei que muitos fãs de MPB gostaram, mas eu enchi o saco de ouvir ele se lamentando.

Sem radicalismos, espero que o Los Hermanos volte mais para Amarante do que para Camelo. De qualquer forma, me pareceu saudável a separação e não acho difícil que a banda consiga produzir um novo álbum do nível do Ventura, o melhor que já fizeram.

Novo do Belle & Sebastian com 4 inéditas

23 Setembro, 2008

Na metade de novembro o Belle & Sebastian lança um álbum duplo – The BBC Sessions – com quatro faixas inéditas, versões de músicas dos primeiros discos da banda e um registro ao vivo em Belfast. Do The Life Pursuit – último e na minha opinião disparado o melhor disco dos escoceses – só tem a faixa The Boy With The Arab Strap, que tá aí em cima não tem nenhuma faixa. Na parte ao vivo tem Here Comes the Sun, dos Beatles, e Waiting for the Man, do Velvet Underground. Se mantiverem o clima “um pouco mais animadinho” do último disco não tem chance de ser ruim. Seguem as faixas do lançamento:

Disco 1 – Radio Sessions
The State I Am In, Like Dylan In The Movies, Judy and the Dream of Horses, The Stars of Track and Field, I Could Be Dreaming, Seymour Stein, Lazy Jane, Sleep The Clock Around, Slow Graffiti, Wrong Love, Shoot The Sexual Athlete, The Magic of a Kind Word, (My Girls Got) Miraculous Technique.

Disc 2 – Live in Belfast
Here Comes The Sun, Theres Too Much Love, The Magic of a Kind Word, Me and the Major, Wandering Alone, The Model, Im Waiting For The Man, The Boy With the Arab Strap, The Wrong Girl, Dirty Dream # 2, Boys Are Back in Town, Legal Man.

VMA 2008 – Balanço geral

10 Setembro, 2008

A premiação aconteceu no domingo, mas eu não podia deixar de dar minha opinião sobre algumas produções que rolaram no VMA 2008, afinal de contas, existem pérolas que a gente só vê em eventos da MTV. Para tornar a coisa mais didática, organizei o post em tópicos.

Da série ‘Ai, meu Jesusinho!’ 

Parece que todo ícone adolescente é obrigado a vestir roupas ridículas. Será que eles acham que, se usarem alguma coisa decente, os zóvens vão parar de escutar as suas músicas? Deve ser isso. A Rihanna aí do meio até que não exagerou tanto, mas definitivamente não dá para dizer que ela foi bem.

Bem que eu sabia que o estilo gótico tava na moda. O Slash, como ex-mebro do Guns, tem o total direito de usar o que ele quiser (aliás, senti falta da cobra enrolada no pescoço). Mas por favor, crianças, não tentem copiar. À direita, Nicky Hilton prova que nem todo dinheiro do mundo consegue comprar um pouco de bom senso. E eu que achava ela melhorzinha do que a Paris… 

Da série ‘WTF?!?!’

Nem sei quem são essas pessoas, mas com certeza elas ganham o troféu abacaxi da noite (menos a moça de vestido, que entrou de gaiato na história).

Acima, Lil Wayne e T.I. comprovam o poder de achatar a silhueta que uma calça de rapper possui. Fica até difícil saber quem é o ‘Midget Mac’.

Da série ‘Até que eu gosto’

À esquerda, Ting Tings, o casal mais cool da noite com cara de quem veio virado da balada. No centro, Perez Hilton banca o Jô Soares, mas não tem como falar mal da “rainha de todas as mídias”. E finalmente, à direita, o grande Christopher “McLovin” Mintz Plasse, pessoa mais decente da noite, com certeza.

Se quiser saber os vencedores e os destaques da noite, clica aqui.

O rei das meias brancas

30 Agosto, 2008

Tá certo que já passou da meia-noite e não é mais o dia do aniversário dele (na Califórnia ainda deve ser), mesmo assim, nunca é tarde para homenagear o rei do pop e das meias brancas. Deixo vocês com a abertura do desenho do Jackson 5, que alegrou minhas tardes durante muito tempo. Graças ao baixo orçamento de alguma TV (Manchete?), tive o privilégio de assistir esse tipo de pérola no início dos anos 90. Não foi por acaso que um dos primeiros CD’s que ganhei na minha vida foi justamente um ao vivo do Jackson 5, depois de muito encher o saco da minha mãe. Valeu a pena. Hoje o CD deve estar escondido em algum canto da casa, mas com certeza terá um buraco nessa faixa.

Parto com volume alto

29 Agosto, 2008

Nesse site aqui dá para saber que música estava em primeiro lugar nas paradas da Billboard quando tu nasceu. É só entrar e colocar a data. Eu não consegui fugir da década mais brega da história e fui premiado com o espetáculo aí de cima.

Paul ingênuo

27 Agosto, 2008

Londres – 1967

Estavam todos sentados, conversando informalmente no jardim do beatle, quando o jornalista principal lançou a pergunta: “Paul, quantas vezes você já tomou LSD?”

Fez-se silêncio, uma hesitação que pareceu durar uma eternidade, mas que foi, na verdade, de poucos segundos, durante os quais Paul raciocinou: “Bom, posso mentir ou contar a verdade”. Então respondeu honestamente: “Umas quatro vezes”. Declarou ainda que o LSD mudara sua vida: “Depois que tomei o ácido, ele me abriu os olhos”, e continuou em tom de quem se gaba, “fez que eu me tornasse um membro melhor da sociedade, mais honesto e tolerante”.

Assim que as palavras lhe saíram da boca, ele deve ter percebido o erro que cometera, pois começou imediatamente a remendá-las : “Gostaria de deixar totalmente claro que não recomendo o uso de LSD”, sublinhou. “Não quero que, ao saber que o tomei, os jovens saiam correndo para se drogar”.

Trecho da biografia de mais de 900 páginas sobre os Beatles escrita por Bob Spitz, com destaque para a passagem dos ainda jovens Beatles por Hamburgo, com qualquer boleta que os fizesse ficar acordados, com grandes quantidades de piriguetes e com doenças venéreas variadas. Texto bem bom e apurado. Tem sido um bom divertimento ao longo dos últimos três meses.

Ah, depois do trechinho aí em cima, como é de se imaginar, a imprensa fez a festa. Os demais Beatles ficaram furiosos com Paul porque, além de ter entregado a gurizada sem motivos aparentes, ele ainda se passou por “mago do ácido”. A punição foi ficar mais de um ano sem se drogar perto deles.