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Foi bom enquanto durou…

7 Maio, 2009

Ravens01

… mas infelizmente esse blog mórreu! Se você estiver com saudades, a Elis tá de blog novo. Já o Schröder está muito ocupado com a monografia (aham!).

Beijos e até a próxima!

Conheça melhor o seu candidato

19 Agosto, 2008

É cada vez mais difícil escolher em quem votar num país mergulhado em constrangedores barracos políticos alimentados pelas despudoradas falcatruas cometidas por quem deveria ser “gente séria”. Sem pretensão política alguma, resolvemos dar uma ajuda para os que já consideram toda classe política demente e precisam de novos critérios de escolha do candidato. Critérios que ultrapassam a barreira pífia das propostas prontas e nunca cumpridas, da simpatia falsa dos comícios e da face comprometida dos debates. Confira a seleção de fotos oportunas dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre, em situações cotidianas e com visuais nem sempre produzidos, e vote consciente no que achar menos pior.

José Fogaça (PMDB)

Gente elegante é outra coisa… O candidato asfaltador ícone entre taxistas mostra que também é sortudo levando R$ 21.140,00 no jogo do bicho. Comemoração de gente simples é no pagode (ver Onyx Lorenzoni e Maria do Rosário). Para completar, o paletó da balada pode ser reaproveitado para governar no dia seguinte, em ousada combinação bege + azul.

Luciana Genro (Psol)

Piada pronta mas que precisa ser feita! É impressionante como a publicidade corrompe até os incorruptíveis. Até a manicure ganhou uns trocados de onde menos se esperava. Orgulho do papai!

Manuela D’Ávila (PCdoB)

A responsabilidade de ser musa em uma Câmara dos Deputados que conta com a beleza kitsch de Maria Gorete Pereira é tarefa difícil. A candidata comunista abandonou a combinação jeans + camiseta para apostar em visuais que realcem seus atributos peitorais. Sábia, ganha pontos com os homens.

Maria do Rosário (PT)

Para governar é preciso conhecer o povo. Para isso, nada melhor que uma boa farra em bloco carnavalesco de Tramandaí. Seguindo a cartilha petista de governar, a candidata também sabe mostrar o seu lado “high society”. Na foto à direita, o já clássico papel de mulher mudérna.

Nelson Marchezan Júnior (PSDB)

Só pela combinação cretina de jeans já deveria estar eliminado da disputa. Mas há ainda o agravante das mãos dadas com a gloriosa governadora durante essa festinha do Rotary Club. Se até ela tá com cara de nojo do rapaz, imagina nós depois de quatro anos.

Onyx Lorenzoni (DEM)

Se eleito democraticamente pelo povo, a primeira atitude digna do candidato seria explicar essa combinação da foto à esquerda. Pelo menos o democrata aderiu com empenho à campanha Bronze Brasil. Resta saber se foi pelo nobre espírito olímpico ou apenas para realçar o visual pagodeiro da foto à direita. Presença marcante na cervejaria Stuttgart.

Paulo Rogowski (PHS)

Uma imagem fala mais do que mil palavras. Como é possível votar em alguém que segura bichos de pelúcia dessa forma? Sabemos que esse tipo de comportamento está em voga no alto comando cristão, mas assim já é apelar. A foto da direita mostra o orgulho do candidato (posição de pré-estátua) em registrar suas viagens internacionais. De onde sairá o dinheiro para as férias cristãs na Europa se ele for eleito?

Vera Guasso (PSTU)

Candidata ganha pontos importantes com o visual “festinha no beco” da foto à esquerda, causando inveja em milhares de indies que não tiveram a sorte de encontrar o casaquinho do brechó. Em contrapartida, o look “delegado Nogueira” ficou devendo, assim como o cabelo Zacarias.

Nós não temos dúvidas de que votar em qualquer um deles é loucura, mas se você precisa de mais argumentos clique aqui.

Especial da semana: Os vestidos favoritos da Vivi!

4 Agosto, 2008

Para os que estavam sentindo falta, voltamos com mais uma edição dos nossos especiais da semana! Dessa vez preparamos algo mais-do-que-especial: a Vivi, vocalista da banda Bidê ou Balde e ícone de charme do rock gaúcho, abriu seu armário e selecionou seus vestidos favoritos para mostrar para o Moderninho. Tem ainda o Top 5 – Estilosos eleitos pela cantora e as peças e produções que ela não usaria nem a pau! Confira tudo no vídeo a seguir, que contou com a divertidíssima edição do Nico Collares!

Confira ainda as fotos dos vestidos favoritos da Vivi na nossa galeria de imagens.

Entrevista: Elis Martini
Câmera e edição: Nico Collares 

Promoção Moderninho + Gotan: A Revelação!

23 Julho, 2008

Chegou a hora que muitos de vocês aguardavam ansiosos: a hora de saber que diabos eram aqueles filmes! Antes de tudo revelaremos o nome do vencedor da promoção: Bruno Gularte Barreto. Através do e-mail de resposta (ou melhor, dos quatro e-mails de resposta) do Bruno, descobrimos que ele é fotógrafo e faz um trabalho muito bacana. Dá para conferir o portfólio dele aqui. Agora vamos aos filmes:

1 – Chinjeolhan geumjassi (2005)

Conhecido por essas bandas como ‘Lady Vingança’, o filme da simpática japinha (que na real é coreana) aí de cima é a última parte da Trilogia da Vingança, do diretor Park Chan-Woo. Os outros dois longas que compõe a série são ‘Sr. Vingança’ e ‘Old Boy’, saca?

  2 – 200 Cigarettes (1999)

Produção da MTV dos anos 90, esse filme mostra uma noite de ano-novo de um monte de personagens absurdos. Mas o mais importante mesmo são o figurino (a história se passa em 1981, dá uma olhada nas pintas ali de cima) e as participações de Kate Hudson, Courtney Love, Christina Ricci e do glorioso Elvis Costello.

3 – Paris, Texas (1984)

Um dos filmes mais lindos e tristes da história do cinema e obra-prima do diretor Wim Wenders. Esse tava facinho, né?

4 – Viskningar och rop (1972)

Conhecido como ‘Gritos e Sussurros’, é outro que tem a fotografia absurdamente linda e é triste que dá vontade de morrer. Clássico do Ingmar Bergman.

5 – Les Parapluies de Cherbourg (1964)

Filme que lançou a  então novinha Catherine Deneuve para a fama, ‘Os Guarda-Chuvas do Amor’ é um musical diferente: todas as falas dos atores são cantadas em ritmo de jazz. Pode parecer meio estranho, mas o resultado é muito bonito. Além disso, a fotografia é excepcional e o figurino idem. Tem uma palhinha aqui.  

6 – Gentlemen Prefer Blondes (1953)

Mais do que clássico com Jane Russell e Marilyn Monroe, ‘Os Homens Preferem As Loiras’ é um musical super-divertido e com passagens memoráveis. A hilária parte da foto, na qual Russell interpreta ‘Ain’t there anyone here for love?’aqui.

7 – The Maltese Falcon (1941)

Pedra-fundamental do cinema noir, ‘O Falcão Maltês’ traz Humphrey Bogart no papel do lendário detetive Sam Spade. Criou toda uma escola de filmes de investigadores e mulheres-fatais. 

8 – Blonde Venus (1932)

A exuberante Marlene Dietrich em sua parceria clássica com o diretor Josef von Sternberg. Hoje em dia o roteiro desse tipo de filme pode parecer meio bobinho, mas mesmo assim ele não perde nem um pouco do encanto. 

9 – Sunrise: A Song of Two Humans (1927)

Clássico de F. W. Murnau, mesmo cara que fez ‘Nosferatu’,  ‘Aurora’ é um dos filmes do período mudo mais bonitos e tocantes. Ficou com vontade de ver e não tem na locadora da esquina? Pois ele tá todinho aqui.

10 – Das Cabinet des Dr. Caligari (1920)

Já ouviu falar em expressionismo alemão? É isso aí.

Habemus vencedor

19 Julho, 2008

Poisé, meus queridos, quem demorou, dançou. A promoção cinéfila do Moderninho com a Gotan já tem um ganhador. Mais informações e as respostas do quiz logo, logo.

PROMOÇÃO GOTAN + MODERNINHO!

17 Julho, 2008

Tá afim de ganhar um vale compras de uma loja mais do que bacana? Então se liga na parceria do Moderninho com a Gotan! Publicamos abaixo dez fotos de filmes clássicos, geniais ou descolados. A primeira pessoa que mandar para o e-mail contatomoderninho@gmail.com a lista com os nomes originais dos filmes das fotos leva um vale-compras da loja no valor de R$100. Se ninguém acertar até semana que vem, daremos dicas graduais até a coisa andar! Então chame aquele seu amigo cinéfilo e corra para o abraço!

Que filme é esse?

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Obviamente bloqueamos os comentários para este post. Qualquer dúvida, sugestão ou reclamação, mande para contatomoderninho@gmail.com. Boa sorte!

Virais: as galochas da internet

27 Junho, 2008

Algum promotor profissional do ócio resolveu criar uma timeline dos memes da internet, desde o Trojan room coffee pot (???), de 1993, até coisas como o Leave Britney Alone, passando pelo embalo quente dos hamsters, pelo cara que ia matar o coelho se não lhe doassem grana (!!!), etc, etc, etc…

Falando em viral, não clique aqui! Sério! Pra mim foi pior que zapear… É por sua conta e risco. Ou melhor, se a indecisão for grande, decida-se aqui, que é, digamos, uma bola oito virtual baseada no ruído de rádio gerado pelas condições atmosféricas (também não faço idéia, mas dizem que deixa tudo aleatório pra cacete).

Escrito por Marcelo Armesto.

amanda bynes, nintendo wii, pandeiro

19 Junho, 2008

Reprodução

É no Viewzi que você pode acabar dando um Google daqui para frente. Contrariando o conceito dos outros buscadores, o Viewzi investe em uma busca muito mais visual, caprichada no layout e nas animações. É possivel buscar por todo tipo de coisa, separada por categoria e apresentada de uma maneira específica de acordo com a busca. Dá até pra ouvir no próprio site as músicas encontradas. Bem massa, vale a conferida. Claro que, como a iniciativa é Beta e lançada recentemente, a base de dados ainda é pequena. Mas os termos do zeitgeist do Google abundam em resultados.

Escrito por Marcelo Armesto (nova aquisição do moderninho para assuntos internéticos).

O rock instrumental da Pata de Elefante

4 Junho, 2008

Elis Martini

Responsáveis por uma das propostas mais originais do rock brasileiro, a Pata de Elefante sobe ao palco do Porão do Beco no próximo sábado para lançar ‘Um olho no fósforo, outro na fagulha’, segundo disco da banda. O som instrumental com pegada surf, que ganhou projeção com o CD de estréia em 2004, volta revigorado com fortes influências do folk, do country, do blues e do soul. Para o especial dessa semana, conversamos com Daniel Mossmann (guitarra e baixo), Gabriel Guedes (guitarra e baixo) e Gustavo “Prego” Telles (bateria) para saber um pouco mais sobre o grupo e o novo trabalho.

Apesar de ‘Um olho no fósforo, outro na fagulha’ ter sido lançado em novembro de 2007, durante o Goiânia Noise Festival, o disco chega oficialmente na terra natal da banda agora. “Demos uma segurada no lançamento porque no verão o rock sempre dá uma ‘morrida’. No final de fevereiro saiu matéria sobre a banda na Folha de S. Paulo e depois lançamos o disco no Abril Pro Rock, em Recife. Por uma questão estratégica, resolvemos lançar o disco aqui um pouco mais tarde”, explicam.

Elis MartiniAs 18 faixas do disco contam com participações de Luciano Leães (piano e órgão), Marcio Petracco (pedal steel e bandolin), Lúcio Vassarath (cítara), Alexandre “Papel” Loureiro (bateria), Rodrigo Siervo (sax), Anjinho (trompete), Júlio Rizzo (trombone), Vicente Guedes e Pedro Hahn (percussão).

A diversidade sonora é o ponto alto do novo trabalho e prova do refinamento adquirido ao longo dos últimos quatro anos. “O clima folk pintou mais nesse disco. Ainda há surf music como no primeiro, mas tem alguns elementos country e referências mais explícitas ao blues e ao soul. É um disco mais melódico, com baladas. O outro era baseado em riffs mais pesados”.

A música que dá título ao CD é um dos destaques, com metais alegres e ritmo dançante. As faixas ‘Hey!’ e ‘Bolero das Arábias’ também estão entre as melhores do disco. O uso da cítara em ‘Don Genaro’ e o clima de OcktoberFest em ‘Até mais ver!’ são surpresas positivas e mostram a preocupação do grupo com a qualidade e a originalidade dos arranjos. Para os fãs do primeiro trabalho, a faixa ‘Satuanograso’ mantém o clima surf.

Elis MartiniFormada em 2002, a Pata de Elefante levou o Prêmio Açorianos de Música, na categoria Revelação, pelo seu álbum de estréia. Além disso, a banda é presença constante nos principais festivais alternativos do país. Duas faixas do novo disco aparecem em coletâneas de música brasileira lançadas recentemente na Europa: ‘Hey!’ faz parte do CD ‘O novo rock do Brasil’, que saiu na França através da revista ‘Brazuca’, e ‘Satuanograso’ integra a coletânea em vinil ‘2007 – Brazilian Surf a Go Go’, distribuída em Portugal.

Apesar do som instrumental, muitas das referências da Pata de Elefante estão no rock clássico de Jimi Hendrix, Cream, The Who, The Band e Eric Clapton. “Nós temos uma banda instrumental com referências de música vocal”, dizem os integrantes do grupo. Apesar disso, a influência dos grupos instrumentais de música popular do final dos anos 50 e do início dos anos 60 também é grande. “Não é jazz ou coisa assim. É música instrumental popular. Nos anos 60, grupos como The Ventures, The Shadows e Freddie King emplacavam hits. Antes dos Beatles, quem mandava na Inglaterra eram os Shadows. Isso estava na moda e dava grana”.

Outro grupo bastante apreciado pelo trio se chama Tijuana Brass. “Nós curtimos muito essa sonoridade. Obviamente, por ser uma banda instrumental, nos identificamos com eles. A Pata é uma banda de canções, de ‘canções instrumentais’. Se não existir esse termo, nós inventamos ele”.

A boa receptividade da Pata de Elefante pelo público em geral pode estar na fórmula pop utilizada pela banda. Ao contrário do jazz instrumental, que tem origem em improvisações, as melodias do grupo seguem uma estrutura bem definida. “Geralmente chegamos com as músicas quase prontas e alguém traz algum complemento. As canções não costumam nascer de improvisos. Seguimos um modelo bem pop de composição. As músicas são bem pensadinhas: parte A, parte B, verso, ponte”.

Elis MartiniAlém do mais, a banda acredita que as músicas poderiam ser cantadas. “As melodias das guitarras poderiam ser o vocal. O Prego, por exemplo, compõe com o violão na mão e canta a parte da guitarra. São melodias cantáveis”.

Ensaiando quase que diariamente para o show de lançamento deste sábado, a banda ainda arruma tempo para pensar no próximo trabalho: um disco só de baladas. Além disso, os integrantes do grupo estão envolvidos com projetos paralelos. Daniel Mossmann é baixista da Acústicos & Valvulados, Gabriel Guedes toca guitarra no Garotos da Rua e Gustavo “Prego” Telles está gravando um disco solo, acompanhado por membros da Locomotores e dos companheiros da Pata.

No mês de julho, a Pata de Elefante volta a dar as caras em São Paulo, participando do projeto Rumos Itaú Cultural. A turnê nacional segue em agosto com shows em outros estados.

Confira mais fotos da entrevista na nossa galeria.

Quem quiser assistir ao show “bem pegado” da Pata de Elefante, com a banda tocando a íntegra do novo trabalho, segue abaixo o serviço:

Quando? 7 de junho, às 22h (jura)
Onde? Porão do Beco (Independência, 936 – Porto Alegre)
Quanto? 15 pilas ou 20 pilas com o novo disco (promoção vale para os primeiros 200 CDs)

O show contará com as participações de Alexandre “Papel” Loureiro (bateria); Marcio Petracco (pedal steel e bandolin); Rodrigo Siervo, Anjinho e Júlio Rizzo (nos sopros); Maurício Chaise (violão e guitarra); Lúcio Vassarath (cítara).

Depois da apresentação, rola a festa Fellas, com Schutz e Machuca convidando Marcelo Ferla.

O novo álbum estará disponível inteiro no MySpace da banda a partir de sexta-feira, na versão streaming. Para acompanhar as últimas notícias da banda, você pode acessar o site dos caras.

Por: Elis Martini e André Schröder
Fotos:
Elis Martini

TeNenTe Cascavel: A volta do TNT e dos Cascavelletes!

27 Maio, 2008

André Schröder

Para o especial dessa semana, o Moderninho entrevistou a TeNenTe Cascavel, que faz seu show de estréia dia 5 no Opinião. Se o nome do grupo ainda soa meio estranho, os componentes são bem familiares: Frank Jorge, Alexandre Barea, Luiz Henrique “Tchê” Gomes, Marcio Petracco e Luciano Albo, ex-integrantes das duas bandas fundadoras do rock gaúcho. As músicas também são nossas velhas conhecidas, ou quem aqui nunca dançou ‘Cachorro louco’ enlouquecidamente ou cantou ‘Sob um céu de blues’ em uma rodinha de violão? Leia na matéria abaixo como foi nossa conversa sobre esse novo projeto, o preconceito contra bandas antigas que se reúnem, o fim do TNT e dos Cascavelletes e muito mais!

André SchröderChegamos um pouco antes do horário no estúdio do baterista Alexandre Barea, ex-Cascavelletes, e conseguimos escutar as últimas músicas do ensaio da TeNenTe Cascavel. Entre elas, uma versão quase punk de ‘O mundo é maior que o teu quarto’, sucesso radiofônico do TNT. Logo fomos simpaticamente recebidos por “Tchê” Gomes, ex-TNT, com quem havíamos feito contato. Enquanto o pessoal se posicionava para a entrevista, Frank Jorge, ex-Cascavelletes, e Marcio Petracco, ex-TNT, conversavam sobre um suposto churrasco: “Churrasco rock n’roll?”, perguntou Frank. “Não churrasco de levar filho, mulher e cachorro”, respondeu Marcio. É, the times they are a-changin’.  

Iniciamos nossa conversa falando sobre a iniciativa de formar essa nova banda para tocar os clássicos do TNT e dos Cascavelletes. “Não é uma coisa de dentro, parece que o mundo conspira para que a gente se reúna, é um acerto cósmico“, afirma Tchê Gomes, que teve que ouvir risadas dos colegas devido à expressão new age utilizada na frase. Barea completa dizendo que no seu caso o que o incentivou foi a vontade de tocar: “Centenas de vezes já tentamos reunir os Cascavelletes. Ano passado rolou um show [no aniversário da rádio Pop Rock], mas foi um parto para conseguir juntar a galera. Sempre tem um que não quer porque tá lançando disco, tá em turnê, tá na Europa. Eu, o Frank e o Albo sempre estamos afim de tocar, mas a gente ficava sem poder fazer, então essa foi uma solução até melhor. Conseguimos reunir tanto as principais músicas dos Cascavelletes quanto as do TNT“.    

André SchröderQuando perguntados sobre os planos de fazer turnê no interior e em outros estados, Tchê afirma que “a carroça pretende andar, mas a banda ainda não tem nada marcado” e Marcio completa em tom de deboche “a gente gastou muito dinheiro em ensaio, vai ter que rolar mais shows para cobrir”. O lançamento de músicas inéditas também  é uma possibilidade, apesar de não estar nos planos atuais da banda.  

Não poderíamos deixar de falar do preconceito que as bandas antigas sofrem quando resolvem voltar à ativa, afinal de contas o que mais se ouviu quando grupos como The Police, The DoorsThe Who, entre muitos outros (até as Spice Girls), se reuniram foi que os músicos estavam somente atrás da grana. Nesse momento Frank Jorge dá sua primeira declaração: “Ser músico é um trabalho profissional como qualquer outro, a gente está fazendo algo tão normal como qualquer outro grupo poderia fazer. Com CPI do Detran e roubalheiras múltiplas, não venham pirar com uns caras que se juntam para fazer um show de rock profissional!Barea completa ressaltando o profissionalismo da banda: “É óbvio que a gente gosta de dinheiro, quer ganhar dinheiro, mas em troca a gente vai dar um show de primeira qualidade, a gente não se reuniu uma semana antes pra fazer um show porcaria e juntar uns trocados para encher a cara. Estamos nos esforçando e trabalhando sério, não é um caça-níquel barato“. Sem querer, Marcio dá a deixa para o nosso próximo assunto: “Se fosse pela grana, não estariam só os parceiros, se fosse pela grana, de repente iriam estar os cantores também“.

A ausência de Flávio Basso – atual Júpiter Maçã e ex-vocalista dos Cascavelletes – na TeNenTe Cascavel até é facilmente compreendida (não sabe porquê? leia nossa entrevista com ele). Porém a falta de Charles Master, ex-vocalista do TNT que participou da reunião do grupo ocorrida em 2003, é mais questionável, já que boa parte das lendas do rock gaúcho gira em torno das desavenças entre os integrantes da banda. Sobre esse assunto, Marcio é categórico: “Não vamos ficar tornando públicas bobagens e eventuais problemas pessoais. Em princípio todos seriam bem-vindos na banda, mas a jogada aqui é uma questão de afinidade tanto musical quanto pessoal. Eu particularmente adoraria ter o Flávio aqui, mas acho que ele não tá muito nessa pilha. É importante que os caras que estão aqui estejam afim do lance como ele é”. Tchê completa: “É muito cansativo trabalhar com determinadas pessoas, não paga a questão emocional”.

André SchröderO assunto se desenvolve até que questionamos sobre os motivos pelos quais as bandas acabaram. Sobre o TNT, Marcio afirma que muitos atritos começaram a surgir depois que o grupo começou a fazer shows no sudeste: “Quando botamos a cara no eixo Rio/São Paulo, a pedreira começou a rolar e as pessoas começaram a se revelar“. Já Barea deu uma explicação mais mercadológica para o final dos Cascavelletes: “Problemas sempre existem, mas quando tá rolando show a coisa anda. No início dos anos 90 o rock nacional perdeu muito espaço para coisas como pagode, axé, sertanejo. Os anos 90 foram terríveis pro rock, foi uma década horrível. De 1990 até 1993, 80% das bandas dos anos 80 acabaram. Na época eu larguei tudo e abri uma pizzaria, porque achei que o rock tinha acabado no Brasil“. 

Mas se os problemas pessoais desgastaram o TNT e o mercado esnobou os Cascavelletes, a TeNenTe Cascavel parece estar muito bem e promete música boa e diversão no seu show de estréia. “O espírito agora é o mesmo de quando a gente tinha dezoito anos”, afirma Tchê, fazendo referência aos tempos áureos das duas bandas. “É legal ver como foi longe aquela influência, o que a gente começou quando tinha dezoito anos se transformou numa coisa que hoje é chamada de rock gaúcho, que é uma marca pra todo Brasil e que influencia bandas não só daqui”, completa Barea. Exemplos disso não faltam: Faichecleres, Identidade e Sapatos Bicolores são algumas das dezenas de bandas que revivem o som criado por esses caras nos anos 80.

Confira mais fotos da entrevista na nossa galeria.

Para quem quiser conferir o show, adiantamos que a banda está super entrosada depois de dois meses de ensaio e promete roupagens novas para algumas músicas. Abaixo segue o serviço:

Show da TeNenTe Cascavel
Data: 05/06/2008
Horário: 23h
Local: Opinião – Rua José do Patrocínio, 834 – Porto Alegre
Ingressos: Antecipados a R$ 20 nas lojas Backdoor (Shoppings Iguatemi, Praia de Belas, Rua da Praia e Lindóia), pela telentrega (51) 8401-0104  ou pelo site Opinião ingressos. O preço para compra na hora do show não foi divulgado.  

Por: Elis Martini e André Schröder
Fotos: André Schröder