Gang 90 e as Absurdettes

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Não sou muito fã de anos 80 e é com certo alívio que vejo as festas temáticas em homenagem à década perderem força. Nunca entendi porque bonitas jovens moderninhas decidiram ressucitar o tenebroso cabelo da Angélica no início de carreira para dançar as músicas da época, anunciadas em cartazes de festa com a imagem (obrigatória) de um pogobol. É claro que coisas boas foram feitas ao longo desses mau vestidos 10 anos, mas a estética característica da época é meio absurda e não muito digna de um revival.

Dentro do que chamamos de clássicos dos anos 80, a banda The B-52’s merece crédito no campo musical. A irreverência das letras e a alegria contagiante das músicas é revisitada de várias maneiras até hoje (Bidê ou Balde comprova). Mais do que isso, o grupo foi copiado quase que instantaneamente no Brasil por grupos como a Blitz.

O que não entendi é porque uma das melhores bandas brasileira estilinho B-52’s não ganhou o devido destaque na recente volta musical oitentista. A Gang 90 e as Absurdettes emplacou até tema de novela das 8 em 1983, mas vive esquecida junto à miscelânea de bizarrices produzidas no período.

O grupo, fundado pelo jornalista com cara de nerd Júlio Barroso, tinha como vertente principal a então bombante new wave. Além disso, o líder da banda agregou influências beatniks às músicas, influenciado pela leitura fanática de Jack Kerouac. O resultado é composto de excelentes músicas dançantes, recheadas de trocadilhos e deboches.

A banda lançou apenas um álbum – Essa tal de Gang 90 e Absurdettes (1983) – com Barroso ainda vivo. Em 1984, o vocalista caiu da janela do seu apartamento em São Paulo e morreu. Depois disso, a tecladista da banda, Taciana Barros, assumiu a bronca e lançou os discos Rosas e Tigres (1985), com quase todas as músicas ainda compostas por Barroso, e Pedra 90 (1987), fracasso que decretou o fim da Gang 90.

Além da clássica Convite ao Prazer aí em cima, uma espécie de hino oitentista, quase todos já devem ter ouvido os hits Nosso Louco Amor, Telefone e Perdidos na Selva.

5 Respostas to “Gang 90 e as Absurdettes”

  1. Edu Says:

    O B52’s, e também as crias brasileiras, fizeram parte de um movimento, uma moda, e infelizmente não tinha como se firmarem na música. Tava na cara que era passageiro. Primeiro, que ninguém tem saco de ser engraçadinho pra sempre, e outra que se a banda “amadurece” no som e letras perde toda a personalidade, e literalmente perde a graça (vide CSS). Talvez pelo fato da proposta desse tipo de banda sempre ser algo descontraído que ninguém levou a sério e as bandas vão pro limbo.

    Mas o mais engraçado é ouvir o Funplex, principalmente músicas como Hot Corner, e pensar que os B52’s nesse comeback continuam com a essência do passado, mesmo fazendo um som tão atual, quase contrariando essa teoria toda que eu disse aí em cima, apesar de eu não imaginar a Blitz durando e emplacando músicas até hoje, e nem a Gang90 se o vocalista estivesse vivo.

    Claro que isso não tira mérito algum delas. Viva o rock festivo e descompromissado.

  2. moderninho Says:

    “Em 1984, o vocalista caiu da janela do seu apartamento em São Paulo e morreu.”

    Ô drogadição dos anos 80!!! Isso sim não volta mais!

    Elis

  3. Schröder Says:

    Gostei e concordo com a tese do primeiro parágrafo. Acabam virando grandes bandas de referência.

  4. José Adriano de Araújo Alves Says:

    Infelizmente as pessoas não souberam dar valor a estes artistas naquela época porque achavam que os mesmos eram apenas da moda. Hoje ao ouvir todas estas músicas chegamos à conclusão que éramos felizes e não sabíamos. Comparem os artistas dos anos 80 com os artistas de hoje!!!
    Agora já é tarde para chorarmos diante do leite derramado!!!

  5. Riquinho (Carlos Henrique Chaves de Oliveira - Niterói) Says:

    Como é bom voltar aos anos 1980 e identificar tantas bandas boas, aliás, diga-se de passagem, naqueles anos tivemos que viver com uma política e uma economia péssima que hoje felizmente passamos bem longe daquele cenário. Esses sim, são os grandes catalisadores de uma geração riquíssima em cultura e expressão, certamente geraram boas músicas e grandes bandas.

    Enfim, algumas bandas se foram e outras ainda permanecem vivinhas da silva, mas às letras e às músicas ficaram gravadas para sempre em nossas mentes como uma geração criativa, improvisada, alternativa, forte, influente, bonita, descolada… Tinha bandas de todo o canto do País, essa é a explicação do porquê que hoje, 2008/2009, as bandas são puramente pop, feitas para venderem seus refrões não estão nem aí para o conjunto (baixo, guitarra, bateria, teclado, 2a voz…), basta cantar refrões.

    Sem citar nomes, provavelmente ninguém mais se lebrará delas em 2012, 2013… isso sem falar de seus integrantes, esses aí viraram uma espécie de jogador de futebol do Século XXI, aonde tiver dando grana eu vou.

    Ah que saudade… Viva o Rock ‘n Roll nacional dos anos 1980, salve!!! Sangue da Cidade, Tigres de Bengala, Gang 90, Plebe Rude, Violeta de Outono, Finis Africae, Banda Zero, Engenheiros, Hogerizah, Inocentes, Celso Blues Boy, Blues Etílicos, Biquini Cavadão, Barão, Titãs, Paralamas, Legião, Lobão e os Ronaldos, Sempre Livre, João Penca, Herva Doce, Blitz, Eduardo Dusek, 14 Bis, A Cor do Som, uns e Outros, Heróis da Resistência, Arnaldo Brandão, Ritchie, Lulu Santos… E tantos outros que nos influenciaram.

    Feliz 2009!!!

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