Archive for Setembro, 2008

Cinema oitentista comanda

26 Setembro, 2008

A Folha Online colocou no ar essa semana enquetes para os internautas escolherem os melhores filmes nas últimas cinco décadas. Os favoritos do público serão exibidos em dezembro – quando o caderno Ilustrada completa 50 anos – durante um ciclo de cinema. Sem complicar com as 50 obras pré-escolhidas pelos críticos do jornal, posso dizer com certeza que três dos cinco primeiros colocados até o momento não estariam na minha lista: Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Blade Runner (1981), de Ridley Scott; e O Senhor dos Anéis (2001), de Peter Jackson.

Acho que a escolha mais complicada fica nos anos 80, entre Paris, Texas (1984), de Wim Wenders; Veludo Azul (1986), de David Lynch; e Não Matarás (1988), de Krzysztof Kieslowski. Seguem os links.

Cinema 1958 a 1969, Cinema 1970 a 1979, Cinema 1980 a 1989, Cinema 1990 a 1999 e Cinema 2000 a 2008.

Em breve, enquete do moderninho para escolher os melhores filmes em cinco categorias fundamentais.

Is Paul dead?

24 Setembro, 2008

Foram tantas as ameaças terroristas depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos que o falatório já é encarado com certa naturalidade. Toda semana (talvez todo dia) algum grupo extremista diz que vai (e por vezes vai mesmo) explodir hotel, embaixada, mercado, metrô. É compreensível que os mais precavidos fiquem atentos a esse tipo de noticiário, mas para a grande maioria dos ocidentais as ameaças são tão comuns que só impressionam, na melhor das hipóteses, quando acontecem de verdade.

O problema é que amanhã Paul McCartney sobe ao palco montado no parque Hayarkon de Tel-Aviv, em Israel, sob ameaça do líder islâmico Omar Bakri, que disse a um jornal inglês que o ex-beatle virou inimigo quando aceitou se apresentar em um Estado que oprime os muçulmanos.

Se tivesse o celular do Paul, mandava uma mensagem dizendo que show aqui em Porto Alegre é mais tranqüilo e que talvez não seja uma boa idéia ficar em pé, na frente de mais de 40 mil pessoas, sabendo que pode haver um malandrinho querendo atirar ou se explodir ali por perto. Como o devaneio não procede, é esperar até amanhã pra respirar mais tranqüilo.

Amarante > Camelo

23 Setembro, 2008

O Little Joy – trio formado pelo Rodrigo Amarante, pelo baterista do Strokes Fabrizio Moretti e por Binki Shapiro (namorada do Fabrizio) – disponibilizou no MySpace três faixas do primeiro disco da banda, que foi gravado em julho e será lançado no início de novembro nos Estados Unidos. No One’s Better Sake é um reggae com cara de antigo e bem interessante. Brand New Start tem clima havaiano, refrão marcante e vocais que lembram Los Hermanos. With Strangers é a mais calma de todas, com arranjos simples que valorizam a boa letra.

Com isso, e depois de ouvir o disco solo do Marcelo Camelo, posso afirmar com certeza que o espírito musical de Amarante me agrada mais. As músicas do Little Joy – mesmo que apontemos todas as infuências claras e obscuras – são originais, diversificadas e surpreendentes. Camelo produziu um bem acabado disco com musicalidade semelhante ao que colocou no último trabalho do Los Hermanos. Reconheço alguns bons momentos do trabalho – a música Janta, com a Mallu Magalhães, ficou bonita – e sei que muitos fãs de MPB gostaram, mas eu enchi o saco de ouvir ele se lamentando.

Sem radicalismos, espero que o Los Hermanos volte mais para Amarante do que para Camelo. De qualquer forma, me pareceu saudável a separação e não acho difícil que a banda consiga produzir um novo álbum do nível do Ventura, o melhor que já fizeram.

Novo do Belle & Sebastian com 4 inéditas

23 Setembro, 2008

Na metade de novembro o Belle & Sebastian lança um álbum duplo – The BBC Sessions – com quatro faixas inéditas, versões de músicas dos primeiros discos da banda e um registro ao vivo em Belfast. Do The Life Pursuit – último e na minha opinião disparado o melhor disco dos escoceses – só tem a faixa The Boy With The Arab Strap, que tá aí em cima não tem nenhuma faixa. Na parte ao vivo tem Here Comes the Sun, dos Beatles, e Waiting for the Man, do Velvet Underground. Se mantiverem o clima “um pouco mais animadinho” do último disco não tem chance de ser ruim. Seguem as faixas do lançamento:

Disco 1 – Radio Sessions
The State I Am In, Like Dylan In The Movies, Judy and the Dream of Horses, The Stars of Track and Field, I Could Be Dreaming, Seymour Stein, Lazy Jane, Sleep The Clock Around, Slow Graffiti, Wrong Love, Shoot The Sexual Athlete, The Magic of a Kind Word, (My Girls Got) Miraculous Technique.

Disc 2 – Live in Belfast
Here Comes The Sun, Theres Too Much Love, The Magic of a Kind Word, Me and the Major, Wandering Alone, The Model, Im Waiting For The Man, The Boy With the Arab Strap, The Wrong Girl, Dirty Dream # 2, Boys Are Back in Town, Legal Man.

Cinema + Pelé + bicicleta “arranjada” = Oscar

18 Setembro, 2008

Nunca vi filme que consiga fazer um jogo de futebol encenado parecer verdadeiro. Eu sei que os zagueiros do meu time também tiram a perna na hora da dividida, mas normalmente a atuação dos atores futebolistas é hilária. São 22 jogadores dispostos de forma aleatória no campo, sem tática, sem marcação, sem contato físico, sem lançamentos longos, sem nada que lembre uma disputa coerente.

John Huston – diretor de O Falcão Maltês, Moulin Rouge, Moby Dick e mais uma pá de coisas relevantes – encontrou uma forma peculiar de superar as dificuldades de encenar um jogo de futebol: chamou o Sylvester Stallone, o Michael Caine e o Pelé para atuar e, com isso, escancarou que o filme não tava ali para parecer de verdade. Acho que fez bem… quem se preocuparia em ver defeitos em um jogo que tem o Stallone de goleiro?

Em Fuga para a Vitória (Victory), de 1981, prisioneiros da II Guerra Mundial enfrentam jogadores profissionais da Alemanha nazista. Quem escreveu a baboseira toda devia ter fumado 1 kg de haxixe, já que os nazistas perderam o jogo depois de estarem vencendo por 4 a 0 (aqueles famosos momentos Disney difíceis de explicar). Mas sabe como é, filmes e comerciais que têm o Pelé dando uma bicicleta “arranjada” têm salvo-conduto e estão livres de qualquer crítica maior.

A obra conta ainda com a participação de vários jogadores “de verdade”, com destaque para o argentino campeão do mundo em 1978 Osvaldo Ardiles.

VMA 2008 – Balanço geral

10 Setembro, 2008

A premiação aconteceu no domingo, mas eu não podia deixar de dar minha opinião sobre algumas produções que rolaram no VMA 2008, afinal de contas, existem pérolas que a gente só vê em eventos da MTV. Para tornar a coisa mais didática, organizei o post em tópicos.

Da série ‘Ai, meu Jesusinho!’ 

Parece que todo ícone adolescente é obrigado a vestir roupas ridículas. Será que eles acham que, se usarem alguma coisa decente, os zóvens vão parar de escutar as suas músicas? Deve ser isso. A Rihanna aí do meio até que não exagerou tanto, mas definitivamente não dá para dizer que ela foi bem.

Bem que eu sabia que o estilo gótico tava na moda. O Slash, como ex-mebro do Guns, tem o total direito de usar o que ele quiser (aliás, senti falta da cobra enrolada no pescoço). Mas por favor, crianças, não tentem copiar. À direita, Nicky Hilton prova que nem todo dinheiro do mundo consegue comprar um pouco de bom senso. E eu que achava ela melhorzinha do que a Paris… 

Da série ‘WTF?!?!’

Nem sei quem são essas pessoas, mas com certeza elas ganham o troféu abacaxi da noite (menos a moça de vestido, que entrou de gaiato na história).

Acima, Lil Wayne e T.I. comprovam o poder de achatar a silhueta que uma calça de rapper possui. Fica até difícil saber quem é o ‘Midget Mac’.

Da série ‘Até que eu gosto’

À esquerda, Ting Tings, o casal mais cool da noite com cara de quem veio virado da balada. No centro, Perez Hilton banca o Jô Soares, mas não tem como falar mal da “rainha de todas as mídias”. E finalmente, à direita, o grande Christopher “McLovin” Mintz Plasse, pessoa mais decente da noite, com certeza.

Se quiser saber os vencedores e os destaques da noite, clica aqui.

Tenho visto coisas medonhas…

9 Setembro, 2008

… mas essa “camisa do acesso” do Corinthians é um exagero. O time vai lançar a campanha “O Timão tem a sua cara” e promete estampar a sua camiseta com fotos de 400 torcedores que doarem R$ 1 mil. Vai dizer que não parece aqueles murais de desaparecidos?

Fonte.

Grécia invade Veneza

6 Setembro, 2008

A afirmação acima é bem verdade, se considerarmos os modelitchos que passaram por lá durante o Festival de Veneza, que acabou hoje. Vestidos inspirados no período greco-romano não faltaram. Acho que a galhofa deve ter começado quando a Gwyneth Paltrow se travestiu de Platão durante o festival de Cannes. De qualquer maneira, a moda parece ter pegado entre os estrelados.

Claudia Schiffer em um Alberta Ferretti bem lindão. Tilda Swinton usa criação da mesma estilista, mas infelizmente a natureza não foi tão generosa com ela.  

Liz Hurley em um Roberto Cavalli bem cafajeste e Diane Kruger de Valentino.

Passando agora para quem realmente interessa, Natalie Portman, uma das meninas mais bem vestidas da atualidade (na minha opinião), parece ter cansado de ser sexy. Ela chegou bem, em um vestidio marinho Miu Miu super fofo, mas depois resolveu inovar e foi na première de ‘Eve’, sua primeira empreitada como diretora, de jeans e camiseta. Meio demais, né? (Deve ser influência daquele namorado maconheiro, hahahaha) Também não gostei muito desse vestido preto cheio de “coisas” que ela usou. Bizarrinha.     

Forte candidata ao novo título de musa inspiradora é Anne Hathaway, que abafou geral com um Versace puro luxo no lançamento de ‘Rachel Getting Married’. Mas eu gostei mesmo foi desse vestidinho fúcsia do meio. Muito, muito fofo. A combinação do vestido preto de bolinhas com cinto vermelho também ficou bacana.  

E o troféu abacaxi do Festival foi pra Claire Danes, tadinha. Sempre muito, querida, sempre muito simpática, quis homenagear o Valentino usando uma criação sua na estréia do documentário ‘Valentino: O último imperador’ mas não foi muito feliz. Fica pra próxima 😉

Revista do Beco

6 Setembro, 2008

Mas esse povo do Beco tá podendo, hein? Depois de dominar o perímetro ãnder da Independência, o pessoal tá planejando uma revista que parece ser bem bacana. No primeiro número, de cara, já vai ter uma entrevista com o Adriano Cintra do CSS. Quem é jornalista e trabalha com música sabe que isso não é uma coisa muito fácil de se conseguir. Pelo que eu li, a publicação vai trazer novas tendências em música, comportamento, moda, cultura e afins. A editora-chefe é a escritora Carol Teixeira e as colunas ficarão por conta dos DJ’s residentes Rafael Schutz e Gabriel Machuca, do baterista da Tom Bloch Iuri Freiberg e do Fredi “Chernobyl” Endres. Ainda não sei se vai ser gratuita ou não (tomara que sim!).

O legal é que a capa sempre vai trazer algum freqüentador da casa clicado num momento de extravaso. Quem quiser pleitear seu instante de glória tem que marcar presença na festa de hoje no Porão do Beco, onde vai ser tirada a foto. A noite ainda conta com show e lançamento de single dos Efervescentes. Mais infos aqui.

Agora só falta dar uma melhoradinha naquele site, néam?

A guerra do vinil

4 Setembro, 2008

Pesquisando sobre colecionadores de vinil, fui conhecer essa série de quatro episódios super divertida que passou no Cartoon Network ano passado. Admito que não dou muito crédito pro canal desde os áureos tempos de Dois Cachorros Bobos e Du, Dudu e Edu, mas essa produção é realmente muito boa. Ambientada na periferia de uma grande metrópole (a.k.a. zona leste de São Paulo), Batalha: A Guerra do Vinil traz personagens ótimos, tipo o super DJ Black Jahmanta, o lendário Seu Niculapo, que animava as pistas nos anos 60 e 70, e o figuraça Locon, cujo nome é auto-explicativo.   

Além do mais, o desenho (se é que pode se chamar assim, porque é em massinha de modelar) é super bem feitinho, nos mínimos detalhes. Aí em cima tá o primeiro episódio, e aqui tem o 2, o 3 e o 4. Quem quiser,  pode ver tudo no site oficial do esquema, que tem também fotos do making of e perfis dos personagens.