Archive for Agosto, 2008

O rei das meias brancas

30 Agosto, 2008

Tá certo que já passou da meia-noite e não é mais o dia do aniversário dele (na Califórnia ainda deve ser), mesmo assim, nunca é tarde para homenagear o rei do pop e das meias brancas. Deixo vocês com a abertura do desenho do Jackson 5, que alegrou minhas tardes durante muito tempo. Graças ao baixo orçamento de alguma TV (Manchete?), tive o privilégio de assistir esse tipo de pérola no início dos anos 90. Não foi por acaso que um dos primeiros CD’s que ganhei na minha vida foi justamente um ao vivo do Jackson 5, depois de muito encher o saco da minha mãe. Valeu a pena. Hoje o CD deve estar escondido em algum canto da casa, mas com certeza terá um buraco nessa faixa.

Parto com volume alto

29 Agosto, 2008

Nesse site aqui dá para saber que música estava em primeiro lugar nas paradas da Billboard quando tu nasceu. É só entrar e colocar a data. Eu não consegui fugir da década mais brega da história e fui premiado com o espetáculo aí de cima.

Paul ingênuo

27 Agosto, 2008

Londres – 1967

Estavam todos sentados, conversando informalmente no jardim do beatle, quando o jornalista principal lançou a pergunta: “Paul, quantas vezes você já tomou LSD?”

Fez-se silêncio, uma hesitação que pareceu durar uma eternidade, mas que foi, na verdade, de poucos segundos, durante os quais Paul raciocinou: “Bom, posso mentir ou contar a verdade”. Então respondeu honestamente: “Umas quatro vezes”. Declarou ainda que o LSD mudara sua vida: “Depois que tomei o ácido, ele me abriu os olhos”, e continuou em tom de quem se gaba, “fez que eu me tornasse um membro melhor da sociedade, mais honesto e tolerante”.

Assim que as palavras lhe saíram da boca, ele deve ter percebido o erro que cometera, pois começou imediatamente a remendá-las : “Gostaria de deixar totalmente claro que não recomendo o uso de LSD”, sublinhou. “Não quero que, ao saber que o tomei, os jovens saiam correndo para se drogar”.

Trecho da biografia de mais de 900 páginas sobre os Beatles escrita por Bob Spitz, com destaque para a passagem dos ainda jovens Beatles por Hamburgo, com qualquer boleta que os fizesse ficar acordados, com grandes quantidades de piriguetes e com doenças venéreas variadas. Texto bem bom e apurado. Tem sido um bom divertimento ao longo dos últimos três meses.

Ah, depois do trechinho aí em cima, como é de se imaginar, a imprensa fez a festa. Os demais Beatles ficaram furiosos com Paul porque, além de ter entregado a gurizada sem motivos aparentes, ele ainda se passou por “mago do ácido”. A punição foi ficar mais de um ano sem se drogar perto deles.

E a nova onda é…

26 Agosto, 2008

… a moda mendigo-Cobain by Mary-Kate Olsen.

É, parece que Deus não ouviu as nossas preces.

Madonna = (Dietrich + Lolita) ÷ 1.000 x 50

25 Agosto, 2008

Madonna estreou sua turnê Sticky & Sweet com um show nesse sábado em Cardiff, no Reino Unido. Querendo ou não, a diva ainda lança moda e, invariavelmente, muito do que ela usar nessas apresentações vai aparecer nas ruas daqui a pouco. Com um body preto a cartola branca, a cantora apostou no clima andrógeno de Marlene Dietrich na década de 30. Muito legal, porém já meio batido, neam? Outra produção da noite fez referência à inocente sedutora Lolita de Stanley Kubrick. Meio inapropriado para maiores de 50 (alguém aí lembrou do estilo Katy Perry?).

Em outro momento (parece que ela trocou de roupa umas oito vezes), a diva apareceu com um visual meio sadô com direito a botas de couro (vegan!) Stella McCartney e body com franjas (medo!). Givenchy também deu o ar da graça na noite, em um look “cigano” que contava com pingentes e detalhes em cores vibrantes. Bem bacana, só não gostei mesmo dessa bota grudada na perna (total cervejaria Stuttgart).

Madonna + Gogol Bordello

24 Agosto, 2008

Não conseguia lembrar de uma aparição da Madonna nessa década que não tenha feito eu praguejar contra ela. Toda aquele lixo produzido para apoiar a invasão americana no Afeganistão e no Iraque me irritou profundamente e a modinha cabala meio forçada também. Como sou um pouco mais novo que a geração “apaixonada” por Madonna e Michael Jackson, não tive problemas em perceber e aceitar a visível decadência da velhota diva.

Esse vídeo aí prova que Madonna ainda sabe comandar uma festinha, mas é bom lembrar que ‘La Isla Bonita’ é de 1987 e que a presença da ciganada da Gogol Bordello deixou a versão da música muito massa.

Para quem não lembra, o clipe original da música tem Madonna em “grande forma” e o ainda jovem ator Benício Del Toro atuando como figurante.

Faces no Names

23 Agosto, 2008

Hoje no Porão do Beco vai rolar festenha com a bem bacana exposição Faces no Names, do fotógrafo Maurício Capellari, que eu havia comentado aqui no blog. O som ficará por conta dos DJ’s residentes Schutz e Machuca, do trio Bande à Part (formado por FêCris, Analu e Camom) e do king of all indies, Lúcio Ribeiro. Promete.

Winezilla

22 Agosto, 2008

Depois do Jogo do Padre, o divertido é jogar os games da Amy Winehouse que apareceram por aí. No Escape From Rehab, você tem que lutar com monstros e gostosas para fugir de uma clínica de reabilitação. Nesse jogo aquelas estrelinhas que dão bônus são na verdade seringas e garrafas de uísque. Já no melhorzinho Winezilla: Attack Of The 100ft High Amy, uma Amy Winehouse gigante tem que destruir policiais e fotógrafos (do The Sun) para liberar seu amado Blake da cadeia. Bom para matar tempo quando não tem nada para fazer no trabalho.

Trilha sonora para o findi

22 Agosto, 2008

Maria Daniela y su Sonido Lasser – Pobre Estupida

Especial para o Nico.

Daniel Johnston: o artista e seus demônios

21 Agosto, 2008

Sempre que ouço alguém dizer que determinado artista é “muito louco”, “totalmente transtornado”, “fora da realidade”, “beirando a demência” ou algo do gênero, sinto uma empatia instantânea. Esse tipo de descrição é típica de artistas que, geniais ou nem tanto, podemos chamar de singulares.

O cantor e compositor Daniel Johnston, ícone cult desde os anos 80, carrega incalculáveis adjetivos desse tipo. Maníaco depressivo e vítima de transtorno bipolar, o americano canaliza com eficácia seus distúrbios mentais em letras e músicas profundas. Além disso, foge de perseguições malévolas com desenhos originais, que ilustram encartes dos seus discos, produzidos de forma caseira.

O fato de Johnston nunca ter alcançado fama da maneira como estamos habituados não impede que ele seja uma das grandes referências do rock atual. Mais de uma centena de artistas gravaram ou executaram suas canções, entre eles Tom Waits, Beck, Teenage Fanclub, Wilco e Flaming Lips. Além disso, foi referência para Nirvana (Kurt Cobain era fã declarado), Pearl Jam, Sonic Youth e mais uma penca de consagrados do rock.

Em 1990, um surto durante um vôo fez Johnston derrubar o avião que o pai pilotava. Após um show em Austin, o artista “viajou” que o pai fosse um demônio e resolveu sabotar a viagem, tirando a chave da aeronave da ignição e atirando-a pela janela. O pouso forçado em uma floresta não deixou feridos, mas é prova incontestável de que os problemas psiquiátricos de Johnston são sérios. Gênio até mesmo em suas paranóias, reza a lenda que Johnston recusou um contrato com a gravadora Elektra porque achava que os integrantes do Metallica, que trabalhava com a empresa, poderiam matá-lo.

Essa e outras dezenas de histórias – como as inúmeras internações em hospitais psiquiátricos e as constantes manias de perseguição – levaram o diretor Jeff Feuerzeig a realizar o documentário ‘The Devil and Daniel Johnston’, que levou o prêmio de melhor diretor no Festival de Sundance em 2005 (trailer aqui).

Quem não ouviu e quiser iniciação no mundo de Johnston, pode baixar aqui rapidinho o disco ‘Songs Of Pain’ (1981). No MySpace dele também há ótimas composições, assim como nos vídeos de ‘I Had Lost My Mind’, ‘True Love Will Find You In The End’, no ao vivo de ‘Mean Girls’ e na excelente ‘Rock this town’.