A era das bandas “legaizinhas”

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Apesar de faltar ainda um ano e quatro meses para a década acabar, algumas reflexões sobre a produção musical do rock nos anos 2000 – muitas delas óbvias – já podem ser feitas sem que exista o risco de virarmos chacota em janeiro de 2011.

A principal marca do período é a falta de bandas ícones, que rompem barreiras e estabelecem propostas duradouras. É claro que podemos pensar que na verdade tudo virou ícone nos últimos anos, mas quero dizer que não há mais os chamados “grandes dos rock” como havia nos anos 60, 70, 80 e 90. Hoje, bandas que lançam mais de quatro discos já são raridade e muitas vezes isso é alcançado após inúmeras separações e reconciliações.

Talvez a banda Strokes – por ter popularizado o indie rock rapidinho dos seus primeiros dois discos – seja digna de algum destaque nesse sentido. Milhares de bandas copiaram o estilo musical fortemente influenciado pela cena punk nova-iorquina do início dos anos 70 e surrupiaram a roupagem moderninha ditada pelo visual do vocalista Julian Casablancas. Mesmo assim, a linha das músicas algumas vezes se assemelha tanto ao Velvet Underground que chamar os rapazes de “salvadores do rock” chega a soar como piada.

Talvez a quetão seja a quantidade absurda de variações do rock, o número mais absurdo ainda de bandas que seguem essas linhas e a falta de disposição do público em se tornar fã de alguma coisa que sempre soa artificial, dinheirista e indigno. Alguém se arrisca a apontar algum ícone? Acho que não, estamos na era das bandas “legaizinhas”.

O que já está definido é o melhor riff de guitarra da década: nada foi tão simples, preciso e embalante como a criação de Jack White em Seven Nation Army. Compensa toda a falta de instrumentos da banda e a tosqueira “bate estaca” que a Meg White consegue tornar cool.

2 Respostas to “A era das bandas “legaizinhas””

  1. Menezes Says:

    Hum, é. E a Meg White dando naquele vídeo também foi rock’n’roll. O fato é que quem colocou o pé na jaca pra se tornar ícone com força foram as figuras da música pop-teen mesmo, o que esvazia os guitarreiros de credibilidade.

    Cristina Aguillera é o novo who.

    Who?

  2. Ricardo Says:

    Nunca mais vão existir “grandes bandas”. Não faz mais sentido com a fragmentação da mídia.

    But, isso não diminui em nada o brilhantismo. Eu prefiro um Of Montreal sobre Guns sem a menor duvida!

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