Pó de Parede

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Ieve HolthausenAmanhã acontece o lançamento do livro de estréia da Carol Bensimon, ‘Pó de Parede’. Recebi um exemplar aqui em casa na noite de ontem e não consegui sossegar até ler a última página do dito cujo. Não que isso tenha sido um esforço homérico, já que o livro é fininho (122p.) e facilmente lido em uma “sentada”. Mas com a quantidade de coisas que eu tinha que fazer, acreditem que só algo muito bom conseguiria me prender no sofá por tanto tempo.

‘Pó de Parede’ é dividido em três histórias que têm em comum o tema da juventude (sem ser tratado de maneira irritantemente zóven ou idiota tipo revista ‘Capricho’) e a forte ligação com o lugar nos quais elas se desenvolvem.

‘A Caixa’, primeira história do livro e minha favorita, conta a vida de Alice, filha de pais hippies e órfã de Kurt Cobain na adolescência, que depois de adulta volta à casa modernista – “a caixa” – onde cresceu e relembra os percalços da sua juventude. Tenho especial apreço por essa passagem:

“Agora já era noventa e um, gente com camisa de flanela andando de cabeça baixa. Logo eu teria as minhas também. A minha cabeça pelo menos já olhava para o chão, mas na minha casa era sempre sessenta. Lá fora ela dizia pelas paredes que ainda acreditava num tipo de futuro excêntrico. Lá dentro os discos cantavam que o mundo estava mudando, canções de trinta anos atrás com esperanças mofadas.”    

‘Falta Céu’, segunda história da obra, encanta por mostrar a maneira que uma grande construção pode afetar a vida dos habitantes de uma pequena cidade. A última do livro, ‘Capitão Capivara’, possui um cenário muito bem construído: um hotel de luxo que viveu seus áureos dias nos anos 70. Seus personagens também são muito bons, principalmente Carlo Bueno, o escritor “corno” que se pune por escrever lixo comercial.

Sem muitas crises, sem muitos dramas, sem drogas, sexo e rock n’roll (ok, talvez um pouquinho), mas mesmo assim muito bacana (ou quem sabe por isso mesmo). Não sei se ‘Pó de Parede’ agradaria um público muito amplo e, apesar de ser um livro bem fácil de ler e totalmente digerível, acho que teria gente que não entenderia ou gostaria das sacadas que ele traz. Mas isso é um ponto positivo, né?

No site da editora do livro, a Não Editora, dá para ler a primeira parte da história “A Caixa”.

E agora para o serviço:
Lançamento e sessão de autógrafos de ‘Pó de Parede’
Data:
18.06
Hora: 19h
Local: Cult Bar (Rua Comendador Caminha, 348 – Porto Alegre – RS)
A entrada é franca e o livro estará sendo vendido a R$ 25.

Uma resposta to “Pó de Parede”

  1. gressi Says:

    me pareceu muito bom!🙂

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