A volta do trash-cult Zé do Caixão

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José Mojica Marins finalizou há poucos dias ‘Encarnação do Demônio’, filme que completa a trilogia do Zé do Caixão junto com ‘À meia-noite levarei sua alma’ (1963) e ‘Esta noite encarnarei no teu cadáver’ (1966). Segundo o próprio autor, em entrevista para a revista ‘Três por Quatro’ no inverno passado, o roteiro do novo trabalho foi escrito em 1966, mas problemas com a Ditadura impediram que o projeto fosse levado em frente. A estréia está prevista para o próximo dia 8 de agosto e o trailer dá uma prévia do trash-cult que nos aguarda.

Reproduzo aqui alguns trechos da entrevista realizada por Julia Aguiar, Leonardo Klück e Thiago Reck. Acho que isso pode ajudar em decisões como “vou?”, “vou fantasiado de Zé do Caixão?” ou “levo a namorada?”.

Sobre a filosofia do Zé do Caixão e as duas primeiras partes da trilogia:

O Zé acha que a morte é a extinção do corpo. Então para que ele não morra, está procurando um filho perfeito. Ele acredita só na força da mente. Ele não acredita em Deus, em espíritos, no diabo. Só na força da mente. Então ele acha que se encontrar uma mulher que pense como ele, que não ame, mas que não odeie, e realmente tenha um pensamento firme, seja inteligente, e nascer um filho com ela, ele jamais morrerá. Através desse filho, de netos, ele vai sobreviver, porque realmente é a essência dele, a inteligência dele que vai ficar. O resto ele acha normal. Por isso, se ele tivesse um filho, como agora nessa última fita que eu fiz, ele não teria medo da morte. Agora por que? Porque ele engravida sete mulheres, e uma delas tem que dar certo. Na primeira [À meia-noite levarei sua alma] ele pegou a noiva de um amigo dele. Matou o amigo, estuprou ela, esperando ter um filho. Mas ela se suicidou. Aí ele ficou mais esperto. No Esta Noite [encarnarei no teu cadáver] ele passou a seqüestrar mulheres, a testar a inteligência delas até achar a mulher perfeita. Ele acha, mas a mulher morre na gravidez.

Sobre o novo filme:

Eu uso numa menina 3 mil baratas. Coisas que ninguém nunca fez. Então eu faço questão de dizer para todo mundo que não é computador, não é trucagem, é real. Eu preparei a moça pra ela enfrentar 3 mil baratas. Afogo ela numa pia, ela não morre. Jogo ela no chão e é barata para todo canto. Tinha 70 pessoas na equipe. Foi a fita mais cara da minha vida e com a maior equipe. Os melhores do Brasil, que fizeram ‘Carandiru’, ‘Central do Brasil’, ‘Cidade de Deus’ e tudo que há de bom.

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