Entrevista: Plato Divorak conta tudo

by

Nico Collares

Na sexta-feira (18.04) tomamos umas cervejas com uma das maiores lendas do rock gaúcho: Plato Divorak. Para quem não conhece, o tipo é uma mistura de guru psicodélico e agitador underground que já reúne doze discos, entre compilações de bandas independentes, parcerias com outros músicos e trabalhos solo. Prestes a lançar seu novo álbum junto com a banda Os Exciters, pela gravadora Pisces Records, Plato abriu o jogo sobre algumas das suas histórias escabrosas. Em meio a muitas exclamações de “canalha!”, “pederasta!” e “seios fartos!”, tentamos descobrir o que passa na cabeça do cara que já foi ator de filme pornô, tem sonhos eróticos com a Mallu Magalhães e diz ter comido a Pitty.

Fale um pouco sobre o teu disco novo?
Ele vai ter 14 músicas inéditas produzidas pelo Thomas Dreher. Temos a participação especial de Ricardo Farfisa, da banda Laranja Freak, nos teclados e órgãos. Também tem trompetista, trombonista e saxofonista. Meu atual parceiro se chama Leonardo Bomfim. Nós temos feito as composições pra voz e violão e depois eletrificamos essas canções. Em relação aos outros trabalhos, as músicas são um pouco mais comportadas, mas mantém a psicodelia, as bizarrices e os efeitos.

E de onde vem essa diferença?
Eu acredito que esse disco, ‘Plato Divorak & Os Exciters’, é um megafone aberto para várias pessoas, enquanto que o ‘Calendário da Imaginação’ é uma coisa mais secreta, que atinge pessoas especiais de uma forma mais aveludada.

Vocês já têm datas e locais para a turnê de divulgação?
Possivelmente vamos tocar em Brasília, Goiás, Uberlândia e Belo Horizonte em maio. Depois que tivermos o disco na mão esperamos que os espaços aqui em Porto Alegre fiquem abertos também.

Qual é a inspiração para esse disco? [Nesse momento Plato puxa de uma sacola de supermercado uma espécie de “cola” que havia praparado previamente. Na folha, várias citações ditas durante a entrevista e um desenho dele mesmo fumando maconha.]
Nesse disco eu sou o poeta espelho. Minha vida é um show ao vivo. Gosto de compor pensando na essência da mais pura verdade. Loucura pouca é bobagem! Canalha! Bem cafajeste!

Plato Divorak

Quais são tuas maiores inspirações musicais?
Tom Verlaine, Lou Reed, Syd Barrett… muita coisa de fora. Eu gosto de elementos ímpares na música arábe, oriental. Também gosto de samba, de MPB tipo Luis Melodia e Valter Franco. De Doors, que foi minha primeira inspiração. De um trabalho como ‘Berlim’, do Lou Reed. Eu posso dizer o seguinte: [de novo ele pega a cola] Um cara que pode achar um disco como ‘Berlim’, de Lou Reed, divertido, com boas sacadas, pode até ser chamado de irracional, quando na verdade ele só está rompendo a grade do pensamento!!

E as bandas atuais?
Gosto bastante do Wondermints, a banda que acompanhou os Beach Boys, do Flaming Lips, até do R.E.M, e tem muita banda boa nacional. Os Variantes, de Curitiba, o Repolho, gosto de Marcelo BirkNão fui no show de lançamento do CD dele porque tava com uma mina chamada ‘a esposa dele’ [risos]. Canalha! Que safadeza!

As bandas atuais aqui de Porto Alegre têm muita influência do rock gaúcho do passado. Tu gosta?
A rapaziada é muito bem ensaiada. Eles crescem com o instrumento na mão e já saem tocando um som na linha do Tutti-Frutti da Rita Lee, do Bicho da Seda. Gosto muito do Locomotores. Só não consigo gostar da Cachorro Grande. Eu vejo uma coisa tocada com desleixo, não acho muito bela. ‘Sinceramente’ é a pior música que eu já ouvi na vida.

André SchröderUma das características que mais marcam teus discos é a psicodelia. Como foi teu primeiro contato com as músicas psicodélicas e com esse estilo de vida?
No começo dos anos 80 eu encontrei duas amigas chamadas Siomara e Simone, musas belas, atrás de um trailer. Eu estava deitado, com roupas hipongas, e elas me acordaram e me levaram. Era época que o ‘On the Road’ estava na moda. E nós fomos viajando até Santa Catarina, na boléia de um caminhão. Fomos pra Garopaba, Laguna, Farol de Santa Marta. Quando voltamos eu comecei a fazer parte da turma. Fazia festas de rock n’roll colocando guitarra dentro do aquário, ouvindo discos do Chuck Berry, Yardbirds, Charlie Christian, trocando vinis. Fui conhecendo coisas, experimentando drogas leves como cogumelo e haxixe, que ainda curto quando rola.

Tu tem muita influência da psicodelia na maneira de se vestir?
Eu sou assim [mostra a “psicodelia” da camisa], mas a minha banda tá numa infuência meio The Who, Small Faces, mod bem no estilo inglês, e eu complemento. Nesses grupos, o vocalista usava o meu tipo de roupa, com influência da psicodelia californiana, e isso deixa a cara da banda muito bonita.

Além da música, o que tu mais gosta de fazer?
Eu gosto de fazer arte em casa, com garotas [risos]. Canalha! Mas não sou um tipo junk drogado. Gosto de experimentar tudo que é bom, como todas as pessoas.

Tu é poeta, busca várias formas de arte…
Sempre escrevi, me inspirava em poetas como [Arthur] Rimbaud, [Georges] Bataille. Eu também fiz uns filmes, gravamos umas coisas bem loucas. Um filme que se chamou ‘Étrange’, que eu fiz o cartaz no estilo Jackson Pollock, bem pederasta! As câmeras a gente pegou com o Gerbase, que era bem meu amigo.

E é verdade que tu fez um pornô?
Lá por 87 eu estava em São Paulo e vi um anúncio procurando atores para um filme pornô na Galeria do Rock. Eu entrei, o cara gostou de mim, eu tinha um corpo muito bonito. Eles tiraram as medidas, – eu tava bem! – e entrei no carro. O motorista ficou dizendo: “Tem que ser grande, hein? Tem que ser grande”. Eu tava com uma morena feiosa com seios fartos, uma loira linda de cabelos lisos e o negão que filmou. Fomos para uma casa com feno, ovelha, cabrito. Foi um filme na linha careta, nada a ver com o estilo hardcore de hoje. A calcinha parecia aquelas cintas para emagrecer. Mas quando o pessoal ficou pelado, daí eu vi que o filme valeu a pena, que era bonito e que eu fiz muito bem a minha parte. As cenas de chupadas foram todas maravilhosas. O nome é ‘Na boca da tricha: de Marte às peladas’. Depois me deram uns 400 pilas e nunca mais fiz pornôs.Paula Biazus

Te encontrei no show da Mallu Magalhães. O que tu achou dela?
Menina prodígio. Foi um prazer total vê-la tocar para mim. Quando ela pega no violão e em outros pequenos instrumentos, eu sinto o seu carisma diretamente. Ela tem muito futuro, mas espero que o primeiro disco tenha uma grande produção. Eu entreguei para ela um CD de músicas minhas com o Leonardo. Ela vai escutar e vai gostar. Tive sonhos eróticos com ela, em que estamos brincando com mel e outras guloseimas. Melzinho no ombro. Especial!

E a lenda de que tu comeu a Pitty, procede?
Estava em Salvador em 1997 e a Pitty ensaiava numa banda hardcore chamada Inkoma. Ela me convidou para um ensaio e depois fomos pra casa dela. Comecei com a boca bem elástica, nos beijamos e fizemos amor gostoso, com camisinha. No outro dia ela veio me buscar no chatô que eu estava. Foi gostoso ter contato com ela.

A maioria dos artistas não consegue viver da música. Como tu faz, tem algum “trabalho diurno”?
Meu emprego são meus discos. Eu gasto meu tempo ouvindo discos, lendo histórias em quadrinhos, ganho uns pilas como DJ. Eu faço coisas que eu gosto, mas que não dão dinheiro.

Tu já organizou festivais aqui em Porto Alegre. Tu pretende fazer mais algum?
Planejo sim, talvez esse ano. Eles se chamavam Montehey PopStock. Foi um bom festival, teve bastante mídia, saiu até matéria de página inteira no Estadão. Um jornalista escreveu o título “Plato: Só mesmo um maluco como ele para organizar uma coisa como essa”. Foi no Garagem Hermética.

Tu teve várias bandas e várias parcerias, entre as quais a clássica com o Frank Jorge. Tu pretende voltar com alguma dessas propostas?
[pega a “cola” novamente e de forma bem cafajeste começa] Um relançamento que as pessoas não perdem por esperar é a K-7 ‘Teen Idols Fora de Órbita’, da dupla Frank & Plato, lançada em 1995. A Krakatoa Records, que é o meu selo, está preparando para CD-R, até a metade do ano.

E os planos para o futuro?
[de novo a “cola”] Estou relançando o disco ‘Momento 68 – Onde estão suas canções?’, de 1999. A big suprise será a nova capa, feita pelo cartunista Fábio Zimbres, bem colorida. Também é raridade o CD que lancei no inverno de 2007, o ‘The Good Memories Bootleg’ com dois shows acústicos de altíssima qualidade sonora. É um Plato bruto. A mídia não quis divulgar, não sei porquê. Se as pessoas se interessarem: platodivorak@gmail.com

Canalha!

Confira na nossa galeria mais fotos da entrevista com Plato Divorak.

Assista a vídeos de Plato & Os Exciters tocando músicas do próximo disco no nosso canal no YouTube.

Por: André Schröder e Elis Martini
Colaboração: Nico Collares

8 Respostas to “Entrevista: Plato Divorak conta tudo”

  1. Marcelo Says:

    “Melzinho no ombro” foi o ápice.
    Mijei

  2. Nico Says:

    Faltou a história do Frank de calcinha rosa. heheheheh. Essa foi só pra quem esteve lá. Estou com as chagas de cristo até agora.

  3. Marcio Says:

    Sensacional!
    Principalmente o nome do filme…vou atrás

  4. Paulinho Says:

    Grande cara esse Plato. Essa deve ter sido a ceva mais divertida da história… invejei. Espero que o tal festival saia logo. Certamente serão ótimas bandas! Bela entrevista.

  5. Marcio Says:

    “Sinceramente”, Plato rules!

  6. Says:

    amo esse homem.
    definitivamente.

  7. plato divorak Says:

    oi amigos do moderninho,tudis na mais pura bele z a ????que tal nova interview ?? já q ue es tou lançando novo trabalh o,o me u quin to solo… “vulcão de preciosidades” ?? mil beijos !!! plato divorak

  8. Rafael Jr. Says:

    Esse cabra já ficou aqui em casa (Aracaju/SE), na mesma época que ele cita o episódio com a atual famosa baiana!
    Figuraça!
    Snooze vai participar do tributo a ele pro próximo ano, com uma canção do excelente Lovecraft!

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